12/27/2009

'Surpreso', Luís Fabiano fecha ano como o maior destaque

27/12/2009 - Se tem um jogador que se destacou na seleção brasileira em 2009 e pode se considerar convocado para a Copa do Mundo do ano que vem, na África do Sul, é o centroavante Luís Fabiano, do Sevilla. Seus gols o transformaram no grande nome da campanha nacional na temporada. Titular absoluto hoje, ele acredita que está perto de se garantir no Mundial. Mas todos sabem que Luís Fabiano ganhou a confiança do treinador em campo, graças a gols importantes como os dois diante do Uruguai, no Morumbi, ou ainda contra a Argentina, em Rosário, pelas Eliminatórias. "Foi um ano bom para mim. Fico feliz em voltar para a seleção, depois de um tempo, e acontecer tudo o que aconteceu comigo", disse.

A primeira partida com a camisa amarela foi dia 11 de junho de 2003, contra a Nigéria. Logo na estreia, marcou um nos 3 a 1 sobre os africanos. Os números de Luís Fabiano na seleção são assombrosos. Em 36 partidas, ele anotou 25 gols. Já foi convocado 53 vezes. Só neste ano, o artilheiro do Brasil nas Eliminatórias da Copa (9 gols) balançou as redes 11 vezes em 10 partidas, o que lhe confere a marca de mais de um gol por jogo em 2009.

De folga no Brasil, Luís Fabiano aproveitou para dar uma passada no Reffis do São Paulo. O goleador se recupera de entorse no tornozelo direito. Estava acompanhado do fisioterapeuta do clube espanhol, Rafael Alonso. Em entrevista exclusiva à Agência Estado, o atacante comenta sobre a grande fase que atravessa, o excelente ano pela seleção brasileira e faz uma projeção em relação à Copa do Mundo. Pede atenção com a Costa do Marfim e acredita que a Espanha pode ir longe. E não está preocupado com a concorrência pela camisa 9.

P - O que você pode dizer do seu ano na Seleção Brasileira?

Luís Fabiano - Esse ano realmente foi muito bom para mim e para a Seleção também. Foi o ano que eu pude ter uma sequência, me firmar definitivamente com a camisa da seleção. Fico feliz porque depois de algum tempo voltar para a seleção da maneira que foi e acontecer tudo o que aconteceu não é fácil. Se firmar com a camisa do Brasil não é fácil, ainda mais para um atacante. Fico muito feliz por tudo isso e espero continuar dando alegria e dando conta do recado.

P - Esperava que fosse se firmar tão rápido assim?

Luís Fabiano - Sinceramente, quando eu voltei para a seleção o meu pensamento era de poder entrar e aproveitar as oportunidades, como todo mundo. O ano foi muito bom e realmente eu não esperava fazer tudo aquilo que fiz (gols e boas partidas), mas com certeza sempre sonhei e na minha cabeça sempre esteve o pensamento de continuar por muito tempo com a camisa da seleção e ser um jogador importante para o time. Isso eu sempre pensava.

P - Acha que deu um passo à frente em relação aos concorrentes do ataque, como Pato e Nilmar, para se garantir na Copa depois de um ano tão bom?

Luís Fabiano - Eu fiz de tudo para chegar aqui e ser um dos nomes pensados por Dunga. O ano foi bom, ajudei a seleção a conquistar títulos e muitas coisas. Acho que no final isso vai contar para ser convocado.

P - E como anda a concorrência pela camisa 9?

Luís Fabiano - Eu acredito que todos os jogadores que têm qualidade e um certo nome, todos têm chance de ir para a Copa. Isso aí a gente vai ver só quando começarem os campeonatos. Eu acredito que todo mundo com chance de mostrar serviço tem condição. Mas quem decide é o treinador. Eu estou tranquilo em relação a isso porque tenho uma confiança enorme do treinador, da comissão técnica. Estou muito bem com eles, tenho um relacionamento excelente. Estou tranquilo nesse ponto.

P - Qual análise você pode fazer do Dunga e o que ele representou para você na seleção?

Luís Fabiano - O Dunga foi importantíssimo porque me deixou tranquilo para eu desempenhar o meu melhor e sempre conversava comigo.

P - E como Dunga é como técnico em seu primeiro trabalho? Quando assumiu a desconfiança era grande.

Luís Fabiano - É um treinador sereno, que conversa bastante com o jogador, transmite uma confiança ao atleta. E isso é fundamental para o treinador. Transmitir confiança e o jogador sentir segurança no que ele fala e ensina, saber que o treinador está com ele, e o Dunga é assim. Ele conversa com todo mundo, transmite que quem estiver melhor vai jogar sempre. Para um grupo isso é excelente porque todo mundo se sente importante e sabe que vai pintar uma oportunidade a qualquer momento. Isso faz crescer o rendimento de todos.

P - O que você achou do grupo do Brasil na Copa do Mundo? A seleção enfrentará Coreia do Norte, Costa do Marfim e Portugal.

Luís Fabiano - Analisando rapidamente as três equipes, vou ser sincero e dizer que a Coreia do Norte eu realmente não conheço. Não sei nada. Portugal nós já jogamos contra (em 2008, o Brasil venceu por 6 a 2, no Distrito Federal). É uma seleção que tem grandes jogadores, o Cristiano Ronaldo, melhor do mundo, e tudo isso. É muito complicado jogar uma Copa contra uma seleção que tem tanta qualidade e jogadores importantes no futebol mundial, como é o caso dos portugueses. Contra a Costa do Marfim eu acho que vai ser um jogo complicadíssimo, porque eu conheço alguns jogadores que jogam comigo no Sevilla, eles são fortes, correm muito e têm muita qualidade também. Os dois jogos serão muito complicados. Não podemos tirar a Coreia também dessa situação, nunca se sabe, né? No futebol muita coisa acontece, mas eu acho que é um grupo bastante forte.

P - Quais seleções você vê como favoritas para o título?

Luís Fabiano - Como eu vivo na Espanha, hoje todo mundo cogita a Espanha como favorita, a seleção que vai chegar na final, que vai ganhar a Copa do Mundo. Está jogando um futebol atraente, bonito, alegre. A Espanha realmente é uma das favoritas. Mas acompanhando outras Copas, a Itália sempre chega, a Alemanha... E não posso descartar a Argentina, que é uma grande seleção também.

P - Contra o Uruguai (em novembro de 2007), no Morumbi, você fez os dois gols do Brasil e correu para o escudo do São Paulo. Por quê? Já estava com isso na cabeça por ter feito sucesso no clube?

Luís Fabiano - Com toda a sinceridade do mundo, isso foi na hora Eu fiz o gol daquele lado e quis comemorar com a torcida e naquele momento vi o escudo do São Paulo. Como eu tenho um carinho grande pelo São Paulo, passei muitas coisas no São Paulo, sempre fui muito bem recebido e deixei amigos lá, me veio na cabeça de ir no símbolo e comemorar ali com o torcedor. Foi uma coisa que não era pensada. Foi na emoção.

P - Você pensa em voltar para o São Paulo algum dia?

Luís Fabiano - Penso em voltar para o Brasil. Tenho esse pensamento daqui a dois, três anos. Vou realizar esse meu pensamento e o São Paulo sempre vai ser a primeira opção, com certeza, sem descartar qualquer outro grande clube do Brasil, porque nunca se sabe o que pode acontecer. Mas, pelo carinho e pelo que vivi no São Paulo, vai ser a primeira opção.

P - Você continua no Sevilla para a próxima temporada? Há alguns meses você foi procurado pelo Milan...

Luís Fabiano - No momento eu sei que tenho mais um ano e meio de contrato e vou procurar cumprir esse prazo, é o certo, o que está assinado. De repente pode acontecer alguma cosia antes, mas no momento só sei que tenho mais um ano e meio no Sevilla. (Gabriel Navajas - AE)

Saudações Fabianistas*

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