9/21/2007

Em alta no Sevilla, Luís Fabiano se vê longe da seleção brasileira

Após viver uma grande fase no São Paulo, o atacante Luis Fabiano era tido como nome certo no ataque da seleção brasileira, mas o bom desempenho de Adriano na Copa América deixou remotas as suas chances de ir à Copa de 2006.

Um ano depois, o atacante vive um bom momento no Sevilla (dobrou a média de gols por partida, vide box no final da matéria), o que o credencia a um dos candidatos a vaga de camisa 9 da seleção, já que Dunga dá mostras de ainda não ter se definido quanto a um nome nessa posição. Mas Luis Fabiano não pensa desta maneira.

"O Vagner Love e o Afonso são bem vistos pelo Dunga. Os dois são os atacantes que o treinador tem na cabeça. Os outros são possibilidades caso aconteça alguma coisa com eles", declarou.

Na entrevista, Luís Fabiano também falou sobre a morte do espanhol Puerta, além de relembrar os momentos que passou no São Paulo, no Porto e no próprio Sevilla. Confira na íntegra:

Pele.Net - Você, em 2004, era o titular da seleção na Copa América ao lado do Adriano. Depois disso não foi mais convocado, e viu atacantes que surgiram depois de você terem mais oportunidades. O que faltou para você ir à Copa de 2006?
Luís Fabiano - O momento que eu vivi depois que saí do São Paulo não foi feliz. Apesar de realizar alguns jogos bons, não consegui voltar para a seleção. O treinador [Parreira] acabou convocando outros jogadores e aí ficou difícil para eu ir à Copa.

As chances de ir à Copa eram pequenas. Ali a gente sabia que quem ia jogar era o Ronaldo, independente de como ele estava. Acabei perdendo espaço na Copa América para o Adriano. Eu também fui bem na competição, mas ele acabou se destacando e ganhando espaço. Ali ele praticamente garantiu o seu lugar na Copa.

Eu tenho que respeitar tudo que aconteceu na seleção na época. Para mim tava claro que ali o Ronaldo e o Adriano. Eu tinha que aceitar as decisões e tentar fazer um bom trabalho pra ver se recebia uma oportunidade.

Pele.Net - Atualmente, você é um dos artilheiros do Sevilla, e passa por uma grande fase. O que falta para ter uma chance na equipe do Dunga?
Luís Fabiano - Também não sei. Sinceramente não sei. Estou vivendo um momento muito bom no Sevilla e na ilusão de um dia voltar a vestir a camisa da seleção, pois nunca posso deixar de ter essa expectativa. O que me tranqüiliza é que já realizei o sonho de vestir a camisa da seleção.

Não tenho interesse de defender as cores de outro país. Mas vou tirar cidadania espanhola no mês que vem para abrir espaço para mais um jogador extra-comunitário no clube.

Pele.Net: O Dunga ainda parece estar em busca do camisa 9 para as eliminatórias. Você é o cara que ele está procurando?

Luís Fabiano - Não. O Vágner Love e o Afonso são bem vistos pelo Dunga. São chamados sempre e aproveitaram a oportunidade que tiveram. Os dois são os atacantes que o Dunga tem na cabeça. Os outros nomes são possibilidades caso aconteça alguma coisa com eles.

O Dunga nunca veio saber como eu estava atuando no Sevilla. Pelo menos não diretamente comigo. Ele sempre pergunta do Daniel [Alves] e do Adriano.

Posso dizer que já vivi o melhor e o pior momento da minha carreira no Sevilla. A morte do Puerta [ Nota da Redação: lateral, de ataque no coração ] foi o pior. Já o momento atual com certeza é um dos melhores.

Pelo que eu entendo seleção é o momento. É formada por aqueles que estão bem, e eu me encontro bem hoje. Não quero dizer que eu mereço, mas sim que estou bem.

Pele.Net - Gostaria de falar um pouco sobre a morte do Puerta. Você acha que poderia ser evitada? Abalou muito o grupo? Vocês já estão recuperados?

Luís Fabiano - Aos poucos o grupo vem se recuperando. É muito complicado, pois a gente se acostuma a conviver com ele mais do que com a família. Daí de repente não o vejo mais. A morte mobilizou o país, chocou muito. Mas a gente vem tentando erguer a cabeça. Tenta lembrar dos momentos bons que passamos com ele, que era brincalhão, gostava de gritar e cantar no vestiário. Uma excelente pessoa. Mas a morte dele afetou muito o psicológico da equipe.

Ninguém nunca desconfiou que ele tivesse algo no coração. Os exames dele eram normais. Tudo que tinha que ser feito foi feito. Ele já tinha desmaiado duas vezes por causa do calor que fazia no local que treinamos e jogamos [37º]. Depois desses desmaios foram feitos exames que não acusaram nada. Parecia que estava tudo normal, mas aconteceu essa fatalidade.

Pele.Net - Após passagens conturbadas pelo Porto e pelo Rennes, houve comentários na época de que você era um jogador que não se adaptava ao estilo europeu, por não render o mesmo da época que atuava no São Paulo. Por que a diferença de rendimento no Sevilla?

Luís Fabiano - No Rennes eu não queria nem saber. Estava com 17 anos, só pensava em voltar para o Brasil. No Porto, faltou paciência, algo que tive no Sevilla. A melhor partida que fiz pelo Porto foi na final em Tóquio contra o Once Caldas [ Nota da Redação: onde o Porto se tornou campeão mundial ]. Eles mesmo reconheceram isso. Mas mesmo assim foi muito difícil para mim no começo na Espanha. Depois que me adaptei, porém, foi só alegria.

Tive uma grande oportunidade de voltar para o Brasil. Santos, Corinthians e Flamengo chegaram até a falar com o meu procurador. Mas o Sevilla não tava disposto. Eles acreditaram em mim e falaram que iam me deixar lá. Depois que eu fechei o contrato pus na cabeça que ia cumpri-lo até o fim.

Pele.Net - Você foi duramente criticado após a eliminação do São Paulo na Libertadores contra o Once Caldas em 2004. Foi isso que te fez deixar o clube? Você tem mágoa do São Paulo?

Luís Fabiano - Acredito que fui injustiçado por parte da torcida, pois quem carregava o time nas costas era eu. O Once Caldas foi superior no jogo. Outros jogadores também falharam e ninguém disse nada. Mas não foi isso que me levou a sair. O clube resolveu me vender pois enfrentava problemas financeiros. Eu já tinha perdido oportunidades de sair antes. Recebi propostas do Milan, Barcelona, Betis e do próprio Sevilla.

Depois da derrota na Libertadores, pensei: agora vou ficar mais um ano e dar a volta por cima. Mas um dia eu estava na casa do meu cunhado, quando recebi uma ligação do presidente [ Nota da Redação: na época, Marcelo Portugal Gouvêa ] que queria falar comigo. Ele me perguntou: você quer ir pro Porto? Se quiser, acerta com eles, pois a nossa parte já ta certa. Aquilo me pegou de supresa. Fui para Portugal no mesmo dia. Cheguei no aeroporto com a roupa do corpo e uma malinha

Me surpreendi por ter sido considerado culpado. São coisas do futebol, assim como os torcedores fizeram antes com o Kaká e o Rogério, eles tinham que fazer com alguém naquele momento. Quando o time não ganha sempre tem um culpado. Torcida é igual em todo o lugar. Aqui na Espanha eles respeitam mais, mas quando a coisa não anda eles cobram do mesmo jeito.

Pele.Net: Atualmente você está com 26 anos. Até quando vai o seu contrato com o Sevilla? Já faz planos de voltar ao Brasil em um futuro próximo? O São Paulo teria a prioridade em um eventual retorno?

Luís Fabiano - Tenho contrato com o Sevilla até 2009. Não sei o que pode acontecer. Eles já estão falando em renovar, querem manter contato. Mas sempre vou estudar voltar pro Brasil.

Sinceramente todas as equipes são iguais. Se eu priorizar o São Paulo e ele não me quiser vou acabar ficando mal, apesar de ser meu time do coração (risos). Temos grandes times no Brasil.

Te Amo Fabuloso e sempre estarei contigo!
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