6/23/2010

Luis Fabiano e o "etanol"?


23/06/2010- O atacante Luis Fabiano fez dois gols na partida contra a Costa do Marfim no domingo, classificando antecipadamente o Brasil para a segunda fase da Copa. O primeiro foi uma linda tabela com Kaká, finalizado na categoria. No segundo, ele ajeitou a bola com o braço – duas vezes. O famoso jeitinho brasileiro.

O primeiro gol foi comemorado nos Estados Unidos. Nos EUA? É isso mesmo. Pelo menos um americano celebrou efusivamente o início da vitória brasileira. Esse torcedor ganhou uma viagem com acompanhante para o Rio de Janeiro no Carnaval, com tudo pago, mais dois ingressos vips para assistir os desfiles na Marquês de Sapucaí. Para isso, teve que acertar o autor do gol 54 na Copa do Mundo. Por acaso, Luis Fabiano – mas o primeiro gol, aquele politicamente correto como convém nos EUA.

A viagem será patrocinada pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e o número 54 é uma referência à sobretaxa cobrada pelos americanos para a entrada de etanol brasileiro de US$ 0,54 por galão. A Unica divulga hoje o vencedor da promoção - mais um dos inúmeros esforços pelo fim da tarifa de importação do etanol. Outras iniciativas são muito mais sérias, como contratação de advogados, audiências com funcionários do governo, palestras em universidades, entrevistas para os jornais.

Na Copa, além da viagem, a Unica está patrocinando festas para acompanhar os jogos do Brasil ou dos EUA no bar Lounge 201, que fica ao lado do Capitol Hill (Congresso) em Washington. Passes inspirados, boas defesas e, claro, gols, são comemorados com rodadas de caipirinha e outras especialidades da culinária brasileira. De graça. Os visitantes usam a camisa feita pela entidade, com o número 54 e os dizeres “Cut the Tariff”.

O objetivo é conquistar a simpatia dos “staffers” de deputados e senadores importantes do Congresso. No último jogo, 250 pessoas aproveitaram a boca livre. “Não temos a forca política ou o dinheiro do lobby do milho, mas com uma boa caipirinha e ótimo futebol quem sabe o protecionismo amolece e abrem o mercado americano pelo menos um pouco?”, brinca o representante da Unica em Washington, Joel Velasco.

É um jogo bem difícil. A tarifa do etanol expira no fim do ano e os lobbies agrícolas no Congresso se movimentam para renová-la. É bem provável que a partida só seja definida aos 45 minutos do segundo tempo (nesse caso, em dezembro). A expectativa do Brasil é pelo menos reduzir a taxa. O lobby do milho é o favorito para o título, mas, pela primeira vez, está suando a camisa para enfrentar o ataque organizado pelo setor privado brasileiro.

Saudações Fabianistas*

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