11/01/2010

Luis Fabiano: 'Quero vingança contra a Holanda em 2014'


01/11/2010 - Luis Fabiano foi artilheiro da Seleção Brasileira na Copa das Confederações, nas Eliminatórias e na Copa do Mundo. Na Era Dunga, ninguém fez mais gols com a camisa amarela do que o atacante. Sua média pela equipe é de 0,65 gol por partida. O artilheiro do Sevilla (ESP) também não foi crucificado pelos brasileiros após a eliminação nas quartas de final do Mundial-2010.

Apesar de tudo isso, Luis Fabiano teme não ter a chance de disputar outra Copa do Mundo: a de 2014. O desejo de renovação, assumido por Ricardo Teixeira e adotado por Mano Menezes, novo técnico, é o maior obstáculo do Fabuloso em sua luta para voltar à Seleção. E será uma luta incansável, por diversas razões. Uma delas: a certeza de que o Brasil será hexacampeão dentro de casa, em 14. A outra: o desejo de se vingar da Holanda, algoz brasileiro na África.

– Ela estava, está e ficará sempre engasgada na minha carreira. Tenho desejo de vingança – disse.

Em sua primeira entrevista exclusiva após a Copa do Mundo, Luis Fabiano não falou apenas de seu futuro na Seleção. Revelou, também, a reação dos jogadores após a eliminação, defendeu Dunga, declarou-se apaixonado pela Copa e assegurou não temer a concorrência dos meninos de Mano.

Confira os principais trechos:

L!: A dor de perder uma Copa do Mundo já passou ou ficará por muito tempo com você?

Essas coisas diminuem, mas ficam marcadas para sempre. Não atrapalha, mas rever as imagens, tudo que passamos naquele jogo... Perder uma Copa do Mundo dói muito, até porque jogar uma Copa não é fácil. Muitos ali não vão jogar outra, pode ser meu caso, mas vou lutar para que isso não aconteça.

L!: Foram muitas noites mal dormidas depois da derrota?

Eu dormia bem, mas era difícil não comentar o acontecido. Amigos, parentes, o vendedor da quitanda, todo mundo queria saber o que aconteceu. Eu dormia bem porque dei meu máximo, estava com a consciência tranquila, mas triste.

L!: E quando perguntavam o que aconteceu, o que você respondia?

Era sempre igual: "No futebol, nem sempre o melhor ganha." Cada jogo é uma história, às vezes você tem uma surpresa desagradável. Infelizmente, tivemos duas desatenções e fomos eliminados por uma seleção que estava bem e chegou à final. Mas, sem desmerecer a Holanda, Brasil é Brasil. É sempre o favorito, tem sempre os melhores, e na derrota a repercussão é maior.

L!: Então você ainda está certo de que eram os melhores?

A gente vai para uma competição pensando que é melhor. Se for com pensamento de derrotado, nem adianta disputar. Olhando o papel, só havia jogadores de muita qualidade, experiência, craques. A gente acreditava que era melhor, mas no futebol não adianta ser melhor no papel, tem de provar em campo.

L!: Você disse que teme não jogar outra Copa. Em 2014, terá 33 anos. É o principal motivo?

Primeiramente, a idade. Com esse negócio de renovação, de repente vão querer mudar e levar só jovens. E vai depender do meu momento, da minha formafísica. Aos 33 anos, terei totais condições de disputar uma Copa do Mundo, mas o técnico tem de achar, várias coisas podem influenciar minha participação.

L!: Você assistiu aos primeiros jogos da Seleção com o Mano?

Só um pouquinho contra o Irã.

L!: Alexandre Pato tem feito gols e há outros concorrentes pela vaga. Tudo isso assusta você?

Não, porque confio muito no meu potencial. São meninos de qualidade, talento, mas sei das minhas condições. Quando comecei, a Seleção tinha Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, só feras, e eu, com 22 anos, não me assustei. Então, não é nada que possa me assustar.

L!: Alguns de seus concorrentes jogam em times grandes, como o Milan. Não acha que, no Sevilla, tem de fazer ainda mais do que eles para conseguir um lugar na Seleção?

A repercussão realmente é outra, pela dimensão do clube, o nome. Não desmerecendo o Sevilla, mas tenho de batalhar muito mais. Por outro lado, meu mérito é muito maior. Fui para a Copa jogando no Sevilla. Quando recebo elogios, prêmios, fico mais tranquilo porque é um mérito grande conseguir as coisas em um clube médio. Em um Barcelona, Real Madrid, Chelsea, a repercussão seria muito maior.

L!: Pensa em se transferir para um clube maior nos próximos anos para ficar mais perto da Copa-2014?

Não é o clube que vai me levar de volta à Seleção. O que vai me fazer voltar é o meu futebol, no Sevilla ou em outro clube, só depende de mim. Se fizer meu trabalho direitinho aqui, o Mano vai ver que tenho condições. Não é o Barcelona ou o Real Madrid que vão me fazer voltar.

L!: A cara dessa nova Seleção tem Ganso e Neymar. Já imaginou um trio com os jogadores do Santos?

Só treinando e jogando juntos para ver como seria o entrosamento, mas são jogadores de muito talento. É importante para um atacante ter jogadores desse nível do lado. Eles têm muita facilidade para driblar, passar... Seria muito bom.

L!: E sobre Mano, o que você conhece? Tem boas referências?

Conheço gente que o conhece, e também ao auxiliar dele, e são referências muito boas. Parece ser um treinador excelente, os resultados estão aí. Está começando um belo trabalho com a Seleção.

L!: Se você pudesse, mudaria algo do que foi feito na Copa de 2010?

O resultado do jogo contra a Holanda. O resto, acho que fizemos corretamente. No futebol, tem de se contar com a sorte, um dia inspirado. São 11 jogadores e todos têm de estar bem. Nossa trajetória até ali foi impecável. E queria ter chegado com um pouco mais de condição física. Cheguei quando vinha de lesão, isso atrapalhou um pouco.

L!: Por isso você saiu no segundo tempo contra a Holanda? Aliás, você entendeu por que saiu?

Temos de respeitar a decisão do treinador. Com um a menos, acredito que precisava de um jogador mais rápido, e entrou o Nilmar.

L!: O que achou das críticas sofridas pelo Dunga na volta ao Brasil?

Muito injustas. Fico triste e indignado porque ele ganhou tudo, foi seu primeiro cargo e conduziu de maneira impecável. Fico triste pela maneira como fomos recebidos.Eu não estava mais acostumado a isso.

Comigo, o povo foi excepcional, mas alguns atletas foram duramente criticados e em alguns casos tinha de haver mais sensibilidade.

L!: Outro muito criticado foi o Felipe Melo. Temiam que ele cometesse algum ato de indisciplina?

A partir do momento em que o jogador tem um cartão amarelo, o Lúcio, Juan, os mais experientes falavam para ter cuidado. Com um a menos era muito complicado. Mas o Felipe sempre foi correto na Seleção, tinha conduta correta. Eu não estava preocupado, pensando que seria expulso da maneira que foi.

L!: O fato de a próxima Copa ser no Brasil aumenta o desejo de atuar?

O fato de ser no Brasil aumenta muito, por vir de uma derrota ainda mais. O Brasil vai ganhar essa Copa. Vai jogar pressionado, diante de sua torcida, em casa, se matar dentro de campo e, com certeza, vai ganhar. Só quem disputou uma Copa sabe o quanto é fantástico. Ali, você vê que é um jogador de verdade.

L!: O que há de tão fantástico?

Tudo. São os melhores do mundo, um evento fantástico, os estádios, o ambiente, pessoas do mundo todo juntas na rua. Jogar para o Brasil inteiro ver. Vi um vídeo do telão da praia de Copacabana, eu fazendo gol. Que é isso? É inexplicável! Quando vi esse vídeo fiquei louco.


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L!: Que cena da Copa vai ficar marcada em sua memória?

Nosso choro no vestiário. Nunca tinha visto igual em toda minha carreira, e olha que tive derrotas dolorosas. Todo mundo chorando depois do jogo, e na janta, e quando fomos embora. Isso mostra que aquele grupo era muito unido.

L!: Quando acabou o jogo, o Dunga foi rapidamente para o vestiário. Ele conversou com vocês?

Conversou, tentou acalmar os ânimos porque já jogou uma Copa. Ele ganhou, já viveu o outro lado, mas nos deu muita força.

L!: Você assistiu à final entre Espanha e Holanda?

Não queria ver a Espanha.

L!: Sério? Pensei que torceria contra a Holanda na decisão.

Preferia que a Holanda ganhasse. Iam encher meu saco na Espanha, como encheram... Brincadeira! Tenho nacionalidade espanhola, no fundo gostaria que a Espanha ganhasse. A Holanda eliminou a gente, estava, está e vai ficar engasgada para o resto da carreira. Gostaria de ter outro jogo contra a Holanda, meu Deus do céu...

L!: Na Copa de 2014?

Nossa, seria um sonho! Enfrentar a Holanda no Brasil é sonho!

L!: É seu maior desejo?

Não, né?! Meu maior desejo é ser campeão do mundo contra a Espanha, mas o desejo de vingança que tenho é contra a Holanda.


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Saudações Fabianistas*

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